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Todos na infância já ouviu de alguém - geralmente da mãe - que "você não é todo mundo". Isso veio em resposta a algo que você desejou ter pois todo mundo tinha. Outra resposta bastante comum é a mãe dizer que você já tem muito brinquedo e não precisa de mais. Eu sei que você se identificou ai.

Esse sentimento de insatisfação não é fruto não de falta de 'algo', mas 'daquilo'. Não é falta de um carro, mas por não ter AQUELE carro. Não estou dizendo que nós não devemos procurar o melhor pra gente. A minha chamada é valorizarmos o que já temos porque pode ser o suficiente para nos manter equilibrados quando falamos de dinheiro, vida relacional, etc.

Temos então pelo menos três motivos que nos levam a ter esse sentimento de insuficiência:

Comparação

Você já deve ter ouvido aquele ditado "a grama do vizinho sempre é mais verde que a nossa". Como na trama descrita logo no começo desse texto, abordei uma situação que toda criança passa de desejar o brinquedo da moda. A mãe não entende que o que você não precisa de um brinquedo, você precisa DAQUELE brinquedo pois todo mundo tem, só você não. Isso acontecia também com materiais escolares na minha infância. Eu tinha lápis de cor, mas nunca foi da Faber Castell. 

Levando ao campo relacional é comum alguém pensar "porque eu ainda estou com essa mulher?" quando vê que a mulher do outro é "tudo" o que a sua não é. Isso vale equivalemte ao gênero. Porém, as pessoas mudam apenas de nome e endereço. São as mesmas, mas com gostos e prioridades diferentes. Não é preciso outro par, é preciso outro olhar e uma procura de como aquilo pode ser melhorado (se é que precisa).

Expectativa

O segundo motivo é esperar algo, geralmente pensamos bastante alto, enquanto a realidade nos frustra. O problema muitas vezes não é o resultado, mas o que você esperou que seria. Falei um pouco disse no artigo Não Assista o Filme da Liga, quando argumentei a respeito do que as pessoas esperavam do filme. Quem não esperando nada, amou o filme.

Lei da Ação e Reação

Por ultimo temos a famosa Terceira Lei de Newton que diz: “A toda ação sempre há uma reação [...]". Aqui ele falara em relação a física, mas podemos sim usar pra justificar algumas de nossas ações. Se não estamos semeando aquilo que pretendemos é certo que não colheremos. Lógico!

"Em tempos de crise, alguns choram, outros vendem lenços". UAU! Momentos de dificuldade todos vamos passar, e, o que ecoa em nossos ouvidos é: O que estamos fazendo em relação a isso? Devemos buscar em nossas práticas habituais, até mesmo as mas sutis, e observar se isso está nos levando ao objetivo final esperado.

Ser grato na vida não está relacionado somente no que temos ou alcançamos mas muito mais na forma que há encaramos. É preciso nos policiar enquanto a esses três motivos para não vagarmos no mal da insatisfação. O que estamos fazendo em relação a isso?
“Passei a vida me sabotando. Fui maltratada por todos os homens com quem me relacionei. Mas a culpa foi minha, que aguentava. Talvez eu até já procurasse quem tivesse essas atitudes. Não é possível ser coincidência. E, mesmo humilhada, eu sempre vivi a vida deles, nunca a minha.”

A carioca Mara, 39 anos, arquiteta, apaixonou-se “perdidamente” aos 15 anos. O relacionamento era sua prioridade, acima dos estudos, das amigas, da família, de seus próprios gostos. Quando ele foi para a faculdade e ela continuou no ensino médio, gostava de segui-lo de manhã cedo pelas ruas, quando ele saía de casa para pegar o ônibus. Um dia, ele terminou o namoro. Mara não se conformou. Telefonava chorando todos os dias, fazia chantagens emocionais. Ameaçava se matar. Terminaram e voltaram inúmeras vezes.

“Uma vez, ele disse que o fim era definitivo e eu tomei o vidro de Gardenal da minha mãe. A quantidade não foi suficiente para me matar – mas o susto fez ele voltar pra mim. Cada vez que a gente reatava, ele me tratava pior. Dizia que eu era burra e feia. E eu não me importava, só me interessava que ele ainda fosse meu namorado. Como se não bastasse, eu ainda comecei a fazer um enxoval para casar.”

Quando Mara tinha 24 anos, o namoro chegou mesmo ao fim. O namorado, sua obsessão, tinha uma noiva e estava de passagem marcada para São Paulo, onde a moça morava. Passou meses sem sair de casa, largou o trabalho numa loja e seu único passatempo era descobrir a melhor forma de se matar. Metrô, ponte, remédios? Só parou quando um rapaz amigo dos vizinhos pulou os obstáculos que ela construíra em torno de si mesma.

“Ele forçou a barra, aguentou minhas negativas, insistiu. Era engraçado e atencioso. No fim de alguns meses, desisti de um curso no Canadá, larguei o emprego e casei com ele. Tivemos um filho. Mas, em poucos anos, a lua-de-mel acabou. Não sei se ele cansou de mim, mas passou a me tratar mal, chegava bêbado em casa, não me dava bola. E eu só queria aquele homem. Não tinha amigos, não olhava pro lado. Acho que nem me olhava no espelho. Engordei muito.”

Aconselhada por uma vizinha que tinha feito uma dieta-relâmpago, Mara começou a tomar anfetaminas. Emagreceu vinte quilos. Mas, depois de um tempo, as crises de ansiedade começaram. Ela parou os remédios e começou a ganhar peso novamente.Voltou às anfetaminas – e se tornou dependente da euforia causada por elas. Há cerca de seis anos, teve síndrome de pânico. Não conseguia mais sair à rua. Foi abandonada pelo marido. Hoje, faz psicoterapia e frequenta o Mada.

“Eu digo que estou em recuperação, mas esta semana mesmo tive uma recaída. Estou com um namorado novo e, mais uma vez, esqueço de mim para pensar apenas nele. Não há um só minuto do dia que eu não esteja imaginando o que ele está fazendo, se está me traindo, se vai me telefonar, se está pensando em me deixar. Eu tenho me esforçado para fazer algo por mim, pelo meu prazer. Acho que vou comprar um cachorro, que é algo que sempre quis, mas nunca tive oportunidade. Se eu descobrir que me amo, vou conseguir largar esse relacionamento que me faz tão mal. Não posso mais viver assim.”

Transtornos psiquiátricos nascem em um traço genético. Mas o nível que patologia vai alcançar depende da cultura e da educação. “As pessoas já vêm em um determinado formato de como viver a vida. Mas a família, a escola, os amigos, o meio vão favorecer ou suavizar aquela tendência”, diz Ana Beatriz Barbosa. A harmonia familiar na infância, assim como a atenção dos pais, podem dar a segurança necessária a quem nasceu com o traço de transtornos do impulso como o Amor Patológico, criando um escudo de autoestima de importância vital. Da mesma forma, a ausência do amor paternal no começo da vida, quando se forma a identidade, pode transformar um traço brando em transtorno grave.

Uma vez instalado, o Amor Patológico só pode ser rompido com tratamento – psicológico, psiquiátrico ou ambos -, sendo que os grupos de apoio, como o Mada, têm se mostrado também bastante importantes no processo. Cerca de um terço dos pacientes precisa de remédios. Mas a maior parte consegue se equilibrar com terapia – o que não significa cura, mas autocontrole. O problema do Amor Patológico é de diagnóstico. Desde que o amor romântico foi inventado, as loucuras dos apaixonados foram institucionalizadas. Com o tempo, isso passa, é o que se pensa – até que o padrão comece a se repetir. O reconhecimento da doença, sua divulgação e as oportunidades de tratamento são grande passos para se salvar vidas – no sentido figurado e literal.

Revista Época
“Quando me sinto rejeitada, é como se eu sofresse um apagão. Não sei quem eu sou, nem o que é realidade. Bato, destruo, machuco. Sinto um vazio no peito, uma dor, que parece que eu vou morrer de um ataque do coração. Depois, muitas vezes, percebo que foi um sentimento por algo que não era de verdade, mas inventado pela minha cabeça. O problema é que depois eu faço tudo de novo.”

A cruzada de pernas de Kátia não passaria despercebida por nenhum homem. Professora de Educação Física, moradora do Niterói, Estado do Rio, ela gosta de usar roupas curtas, justas, decotadas, que mostram sua ótima forma aos 35 anos. Casou-se aos 25 com um colega de faculdade. O casamento ficou morno e, depois de sete anos, decidiram, de comum acordo, pela separação. Seis meses depois, ela começou a sair com um homem trinta anos mais velho e de uma classe social inferior.

“Ele era chefe da oficina mecânica onde eu costumava levar meu carro. Durante anos, sempre foi amável e brincalhão. Eu estava sozinha e ele me chamou pra sair. Fui. E me apaixonei. Eu sei que as pessoas nos olhavam na rua e pensavam como é que eu estava com um cara como aquele: mais velho, magro, feio e mais baixo do que eu. Mas ele me agradava, tinha um jeito quietinho, doce, que me conquistou. Vivi meses de lua-de-mel. Até que um dia ele começou a me rejeitar. Eu ligava e ele estava sempre ocupado. Eu marcava de sair e, na última hora, ele dava uma desculpa.”

Kátia deixou o bronzeado de lado. De manhã, antes do trabalho, em vez de pegar a praia de costume, ficava em seu carro, na rua da oficina, observando o namorado. Ele raramente saía de lá. Dali mesmo ela telefonava para ele. Se, na terceira tentativa, ele não atendesse, ela já invadia o local aos berros. Virou a atração da oficina mecânica. No começo, era alvo de risadas: um mulherão armando o barraco dia sim, dia não, era uma bela quebra na rotina. Mas, depois que destruiu dois cones da entrada, atropelados por seu carro, passou a ser temida no trabalho do namorado.

“Todos os dias, eu pensava: como é que esse cara não está nem aí pra mim? Ele devia dar graças a Deus por ter uma mulher como eu! Mas era uma falsa autoestima. Se eu me achasse realmente maravilhosa, não daria tanto vexame, não desceria tão baixo. Só que eu não conseguia mais ficar sem ele. Era uma adrenalina quando ele não me atendia. Eu queria quebrar tudo, sofria e chorava. Faltava ao trabalho toda hora.”

Kátia descobriu que o namorado não a atendia quando estava no trabalho porque era lá que ele a traía – com a moça do cafezinho. A informação foi passada por um outro mecânico, com quem ela fez amizade. Foi à oficina e espancou o namorado com sua bolsa, que tinha pedaços de metal. O homem, ferido, deu queixa na polícia. Dias depois, Kátia foi intimada a comparecer a uma delegacia.

“Ainda me lembro da cara da escrivã, me olhando. A dúvida estava no rosto dela: como é que essa mulher jovem e bonita fez isso? Eu me senti humilhada. Chorei dias seguidos. Decidi que nunca mais ia procurá-lo, mas não conseguia me desprender dele. Continuei sabendo tudo sobre ele através do mecânico que tinha ficado meu amigo – e a quem de vez em quando eu dava uns trocados. Cheguei a ligar várias vezes pro meu ex, de orelhão, só pra ouvir a voz dele. No meu sonho, ele adivinhava que era eu e dizia que me amava e que queria voltar. Eu queria a minha vida de volta, mas não conseguia.”

Há dois anos, aconselhada por uma amiga, Kátia procurou o Mada. Depois que começou, nunca largou o grupo. Estimulada pelas conversas, começou a ler sobre Psicologia e Amor Patológico. Descobriu que, com o namorado, repetia os mesmos padrões de namoros anteriores – necessidade de controle e atenção, pavor de ser rejeitada, impulsividade.

“Talvez meu ex-marido tenha sido a exceção justamente porque sempre foi dedicado e atencioso. Com ele, eu não sentia ciúmes, não tinha medo da perda. Ele me dava mais atenção do que eu a ele. Talvez nós, mulheres que amam demais, sejamos assim: as pessoas que nos amam de verdade não têm muita graça. Será que somos atraídas pela rejeição que tanto tememos?”

Coordenadora dos grupos de Amor Patológico da Santa Casa, a psicóloga Daniela Faertes fez a triagem dos inscritos e se impressionou com o número de interessados: mais de cem em apenas dois meses. Uma em cada quatro pessoas, no entanto, estava bem longe de sofrer do transtorno. “Sofrer por causa de um término de relacionamento não é doença. Ao contrário, é mais do que normal. O transtorno começa a partir do que se faz com esta dor, as ações, as reações, o padrão repetitivo”, afirma.

Recentemente, a Associação Americana de Psiquiatria, que tem sido a referência mundial na área, tem recebido críticas de que, ao incluir novas doenças em seu Manual, estaria forçando a medicalização de atitudes que não são doenças mentais, reduzindo a “normalidade”. Há um consenso, porém, de que a linha divisória entre o saudável e o normal está no dia-a-dia. Quando um transtorno ou uma mania começam a prejudicar a vida, começa aí a patologia. Ser ansioso é normal; ter crise de ansiedade a ponto de não conseguir sair de casa é doença. Gostar de limpeza é normal; lavar as mãos a cada cinco minutos é doença e se desesperar quando não há água por perto é outra. Apaixonar-se é saudável; acreditar que sem aquela pessoa o mundo acabou é Amor Patológico.

Um dos perigos dos transtornos de comportamento é o acúmulo ou a rotatividade de tipos de dependência. Para se afastar da bebida, vai-se ao jogo. Para afastar-se do jogo, vai-se à ao exagero alimentar. Para curar da comida, toma-se anfetamina. Tudo para preencher o vazio.

Próximo post: Amanhã: ela repete o padrão de relacionamento
Revista Época
“Falar sobre isso é quase tão dolorido quanto a própria dor. Só estou me tratando porque não conseguiria lidar com a perda da minha mulher. Preciso aprender a controlar meus pensamentos e a perceber que nem tudo que eu imagino é real. Depois que eu dou meus ataques e a raiva passa, tenho muita vergonha. Minha autoestima está no fundo do poço e ninguém vai me amar desse jeito.”

O administrador de empresas paulistano Walter, 33 anos, está casado há quatro. Admite que sempre foi “dependente” de suas namoradas. Não aceitava que a atenção integral de início de namoro diminuísse com o tempo. Rapidamente se sentia rejeitado. Se telefonava e elas não podiam falar, ia até onde elas estavam, tirava satisfações, dava vexame. Achou que, com o casamento, isso diminuiria. Mas o compromisso, em vez de aliviar seus estresse, só o aumentou. O dia-a-dia a dois aumentou as cobranças – e as brigas, cada vez mais violentas.

“Ela sai de casa e eu começo a pensar uma coisa ruim, que ela está me traindo ou fazendo alguma coisa sem que eu saiba. Daí em diante não consigo mais me controlar nem me concentrar em qualquer outra coisa. Quem me olha, pensa que estou calmo, trabalhando, mas, por dentro, tem um monstro em ação.”

Há um ano, numa briga – depois que o celular da mulher estava sem bateria e ele não conseguiu falar com ela – Walter a agrediu. A mulher foi para a casa da irmã. Só voltou depois de uma semana, após a promessa do marido de frequentar um psicólogo. Foi lá que Walter ouviu falar, pela primeira vez, que sofria de amor patológico. E que, muitas vezes, esta não é uma doença de um ator só – mas uma via de mão dupla. Admitir tudo isso é tão difícil para ele, e o medo de partilhar, tão arraigado, que Walter só concordou em dar entrevista por telefone, mesmo sem identificação.

“A psicóloga me fez perceber que muito do que minha mulher fazia estimulava o meu transtorno, a minha necessidade de controle, de perseguição. Ela sabia que ela era mais poderosa quando me ignorava um pouco, fazia doce ou não atendia meus telefonemas. Ela deixava eu crescer na minha raiva e explodir. Depois eu ficava mal, ela grande e eu pequeno, fraco, por tudo que eu tinha feito. No meu tratamento, estou tentando colocar o centro da minha vida em mim mesmo. Não é fácil, porque eu sou inseguro e tenho medo de ficar sozinho. Mas quero conseguir. Só assim vou poder ter um amor saudável um dia.”

Autora de best-sellers como Mentes inquietas e Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa prepara um livro sobre a Personalidade Borderline. Ainda pouco conhecido, este tipo de transtorno é caracterizado pela ausência de ligação com a realidade e a dificuldade de conexão real com o outro. Não chegam a ser psicopatas – que não têm empatia com o outro -, mas têm mais do que uma neurose, além de uma alta tendência à impulsividade. E é justamente nas relações afetivas que os problemas aparecem. “O Amor Patológico é totalmente ligado à Personalidade Borderline. São pessoas com senso de identidade quase nulo, daí precisarem de outros para dar validade a elas. Elas não amam alguém, elas na verdade precisam de quem construa um lugar no mundo para elas”, diz. Quando rejeitada ou temerosa de perder esse alguém, elas enlouquecem. Porque é como perder a própria vida.

O Amor Patológico, afirma Ana Beatriz, necessita de parceria: para cada border, há alguém com outro transtorno, mesmo que leve. Há casos em que, do outro lado, está um obsessivo compulsivo, que jamais rompe o vínculo pela obstinação em corrigir a situação. Na maior parte das vezes, porém, o par da Personalidade Border é o narcisista – ou mesmo o psicopata. O “amor louco”do outro enaltece a vaidade do narcisista, vira sua forma de ter segurança e viver. No caso do psicopata, sua falta de empatia faz com que ele trate a situação com frieza, isso quando não se diverte e tem prazer. “São esses pares complementares que geram os casais tão improváveis que muitas vezes conhecemos e nos fazem pensar: como é que isso funciona?”, diz.

Próximo Post: uma mulher tão bonita quanto insegura, que não consegue ser feliz.

Revista Época


“Todas as noites, quando chegava em casa, eu passava a mão na parte de cima do armário para ter certeza de que a arma estava lá. Só quando meus dedos encontravam aquele objeto frio, eu me dava por satisfeita. Então eu tomava banho, jantava e me deitava para voltar a pensar em um jeito de matar o meu ex-marido. Até hoje eu nunca soube se teria mesmo coragem de fazer isso. Mas durante muito tempo, eu tinha certeza que sim.”

A funcionária pública mineira Neuza, 53 anos, casou-se aos 18. Era virgem e não tinha terminado seus estudos. Com poucos meses de união, descobriu que era traída. Não fez nada. Soube mais duas, três, quatro vezes – sempre com mulheres diferentes, que às vezes até ligavam para sua casa. Apaixonada – ela repete -, nunca reclamou.

Ao longo dos anos, na rotina do casal, ela ficava em casa com os filhos pequenos e ele ia à vida. Um dia, César, seu marido, comprou um carro novo, conversível. Era seu sonho de consumo. Neuza imaginou que ele levaria a família para um passeio, no primeiro sábado. Mas ele disse que sairia sem eles – porque tinha companhia melhor. Ela arranhou todo o seu carro. E ganhou um olho roxo – mas não o abandonou.

“Eu era tão apaixonada que tinha certeza de que ele ia mudar. Meu amor não poderia ser em vão. Quanto mais ele me destratava, mais eu era louca por ele. Criei uma rede de informantes – na vizinhança, no trabalho dele, no clube onde eu sabia que ele ia – para controlar tudo que ele fazia. Sabia das mentiras, das amantes, me jogava na cama e chorava, chorava. Mas não pensava em ir embora. Na verdade, saber de tudo sobre ele me dava certa sensação de poder, mesmo que ele me traísse.”

Neuza não pensava em separação, mas um dia ela chegou – pelas mãos do marido. Estava envolvido com a secretária de sua empresa. Neuza voltou para a casa dos pais depois de dez anos. Mas o marido, agora ex, continuou sendo o foco de sua vida. Soube das viagens ao exterior que ele fez com a nova mulher e do apartamento novo para onde se mudaram. Fez questão de ir até lá, para xingá-los na porta do edifício. Tomava remédios para dormir, não se alimentava. No emprego, que arrumara para ajudar os pais, passou mal inúmeras vezes.

“Era muito estresse, tristeza, revolta. O único jeito de eu voltar a viver era ele não existir mais. Então eu achei que só seria feliz se ele morresse. Foi aí que comprei a arma, ajudada por uma vizinha que tinha um irmão policial. Passei a pensar uma estratégia. Era melhor na saída do prédio ou do trabalho? Era melhor eu mesma ou alguém contratado? No meu íntimo, eu queria que ele me visse apertando o gatilho. Ele tinha que saber que era eu. Mas o plano ficava só na minha cabeça.”

Deprimida, Neuza começou a beber. Sofreu um acidente de carro, perdeu o fígado. Passou a sentir fraquezas, desmaiou na rua várias vezes. Foram anos assim, sempre doente, entocada em casa, sem amigos, sem diversão. E continuou seu plano de morte – que jamais compartilhou com alguém da família.

Um dia, o filho, já adulto, descobriu a arma. Quis saber o motivo. Neuza virou bicho. Era como se seu mundo estivesse sendo invadido. Agrediu o filho. Só neste momento veio a ideia de que ela precisava de ajuda psicológica urgente. Foi quando ela viu, num jornal, uma pequena matéria sobre o Grupo Mada – Mulheres que Amam Demais Anônimas.

“Quando li os relatos, parecia que falavam de mim, dos meus sentimentos das minhas dores. Só a ideia de que eu não estava sozinha já me ajudou. Participo das reuniões há oito anos. Esqueci o meu ex-marido. Mas arrumei um novo namorado e – adivinha – tive o mesmo tipo de problema: paixão, rejeição, descontrole. Acho que vou ter que me tratar a vida inteira.”

Todas as semanas, 45 grupos espalhados em 14 capitais brasileiras – além de um em Portugal e três na Venezuela – falam do Amor Patológico, suas dores e ações em nome dele cometidas. Surgido há cerca de dez anos, o Mada espalhou-se pelo país rapidamente, com o mesmo conceito dos Alcoólicos Anônimos: auto-ajuda, discussão, acolhimento e a certeza de que ninguém nunca se cura de uma compulsão – ela é apenas controlada, um dia após o outro.

Somos uma irmandade, repetem as mulheres que frequentam as reuniões. Começam sempre com uma prece. A ideia de uma força maior é primordial para a superação. Depois falam de seus problemas, relatam os últimos dias. Opinam nas histórias umas das outras.
“O Mada faz um trabalho fantástico, cotidiano. Mas é importante, na maioria dos casos, que haja também um tratamento psicológico ou psiquiátrico”, afirma Eglacy Sophia, supervisora do setor de Amor Patológico do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Hoje eles atendem 25 pessoas. Uma das referências do Mada é o SLAA – Sex and Love Addicts Anonymous (Viciados em Amor e Sexo Anônimos). Já são 113 grupos espalhados pelos Estados Unidos.

Como no Brasil, além dos grupos de auto-ajuda, também se multiplicam os centros de atendimento médico para o Amor Patológico. No Tennessee, um centro existente há 20 anos, The Ranch, referência no tratamento de álcool de drogas, criou, há dois anos, um espaço especial para tratamento da área de relacionamentos afetivos, já com dois grupos anuais de 20 pessoas, entre homens e mulheres. Em Los Angeles, o Center of Healthy Sex já tem 50 pacientes de Amor Patológico, com apoio de psicólogos e psiquiatras.

Segundo Eglacy, a maior parte das pessoas que busca ajuda é do sexo feminino – não à toa o Mada cresceu apenas com mulheres. Mas será que elas sofrem mais com o Amor Patológico? “É da natureza feminina buscar mais ajuda e mulheres têm mais facilidade para expor seus problemas”, diz.

Analice Gigliotti, da Santa Casa, acredita que mulheres são maioria porque, por uma questão cultural, sempre deram mais importância aos relacionamentos afetivos. “Se a pessoa tem aquele aspecto da vida como prioritário para sua felicidade, e se ele não vai bem, a vida toda está ruim”, diz. Mas isso não quer dizer que homens não desenvolvam este tipo de transtorno – e com grande sofrimento.

Próximo Post: o depoimento de um homem – eles são minoria, mas também sofrem deste transtorno.

Revista Época
“Quando meu amante não me quis mais, senti mais dor do que na morte da minha mãe. Logo minha mãe, que foi tão boa pra mim. Ele foi mau. Me fez sentir a mulher mais maravilhosa do mundo, depois deixou de me amar. Eu o persegui, xinguei e agredi. Minha vida se tornou ingovernável.”

O relato de Tânia, carioca, 41 anos, é interrompido pelas lágrimas inúmeras vezes. Professora, casada e mãe de um adolescente, ela se tornou viciada – no jogo e no amor. O alcoolismo do marido e a independência do filho crescido a jogaram num vazio. Há cinco anos, nas tardes livres, começou a frequentar um bingo. Era apenas um passatempo. Até que ela conheceu Paulo, solteiro e mais jovem do que ela. Em uma semana, estavam apaixonados. Uma nova rotina se fez: eles passavam as tardes apostando – quase sempre com o dinheiro dela – e, antes que ela voltasse para a família, passavam algumas horas no apartamento dele, ali perto.

“Era muita adrenalina. Da roleta à cama dele, eu me sentia numa aventura, num filme. Depois de um mês, ele disse que queria ser meu noivo. Sabia muito bem que eu era casada, mas ali no bingo, a gente vivia um mundo paralelo. Ele fez o anúncio na frente de todo o pessoal que jogava e me deu um anel, ajoelhado no chão. Eu nunca me senti tão poderosa”.

Depois de um ano, tudo começou a mudar. Paulo sumia várias tardes. Dizia que havia conseguido um trabalho, que não queria mais ser sustentado pelos pais. Tânia passou a persegui-lo. Durante dias seguidos, passava horas no estacionamento onde ele guardava o carro, para ver se ele chegava com alguém. Sua vida era saber de todos os seus passos. Subornou um porteiro. Tentou contratar um amigo para segui-lo. No bingo, quando Paulo aparecia, ela não permitia que ele conversasse com nenhuma outra mulher. Tiveram brigas públicas. Ela já não ligava para o olhar dos outros. Passaram a se agredir fisicamente.

“Eu não ligava pro meu filho, minha casa, nada. Eu vivia em função dele. Um dia, ele disse que não queria mais, que eu levava a vida dele para o fundo do poço. Falou que eu era louca. Foi pouco antes de um Natal. Na ceia, com meu marido, meu filho e o resto da família, chorei sem parar. Ninguém sabia o que eu tinha. A quem perguntava, eu dizia que estava deprimida.”

No dia seguinte, Tânia foi à casa de Paulo. A mãe atendeu a porta e ela invadiu. Começou a gritar e quebrar tudo pela frente. Agrediu o ex-namorado com socos e pontapés. Chamaram dois porteiros para tirá-la de lá. Mas ela não parou. Continuou seguindo o ex-namorado. Contentava-se em vê-lo passar na rua. Teve distúrbios de ansiedade, insônia, desmaios. A família nunca soube o motivo. Hoje, ela tem apoio psiquiátrico e participa de um grupo de apoio. Ainda pensa no ex – e sofre –, mas tem conseguido se controlar.

“Até quando, não sei. Mas esse amor ainda dói muito.” O que Tânia chama de amor pode ser, na verdade, uma doença. Dentro das classificações psiquiátricas, ela se insere nos chamados Transtornos Impulsivos do Comportamento – junto com o vício no jogo, nas compras, na comida. Nos meios médicos, é chamado de Amor Patológico – e tem sido cada vez mais reconhecido como doença.

No Rio, a Santa Casa, referência em Psiquiatria, iniciou este ano o tratamento específico deste tipo de transtorno. Doze pacientes começaram a ter sessões individuais e trabalhos em grupo. Há cinco anos, um núcleo da Universidade de São Paulo (USP) também mantém um ambulatório especializado, além de estudar o Amor Patológico. “A ideia dessa dependência afetiva é bastante nova. Esse reconhecimento é muito importante, porque é algo que causa enorme sofrimento a muitas pessoas”, diz a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do Setor de Dependência Química e Outros Transtornos do Impulso da Santa Casa.

O Amor Patológico ainda não é, oficialmente, uma doença mental. As dependências comportamentais estão entrando, progressivamente, no Manual de Estatística e Diagnóstico das Doenças Mentais, a DSM. Trata-se da bíblia dos transtornos mentais, reelaborada periodicamente pela Associação Americana de Psiquiatria. Na próxima edição, que sairá ainda este ano, a compulsão por jogos será registrada. “Aos poucos, a coleção de registros e a existência de um padrão farão com que os transtornos sejam incluídos no Manual”, diz Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Desde a década de 80, a psicologia e medicina estão percebendo que, da mesma forma que há dependências químicas, de substâncias, há a dependência de determinados comportamentos. A novidade é a medicalização do transtorno. O reconhecimento do problema – que tem um padrão, daí ganhar um tratamento específico – é o primeiro passo para o processo de controle de atitudes que podem prejudicar vidas.

No fundo de tudo, a busca do prazer. O vício não é no jogo, na droga ou na pessoa – é no prazer. A explicação é neuroquímica: a paixão, como a droga, libera a dopamina no cérebro. É essa substância que causa a sensação de prazer, de conforto, de felicidade e bem-estar. Depois de experimentá-la, como viver sem ela? No caso do Amor Patológico, essa sensação é personificada. Como viver sem aquele alguém ou com a ideia de que ele não nos ama como gostaríamos?

Quem sofre do Amor Patológico não consegue ter um relacionamento amoroso saudável. Seu foco obsessivo é o parceiro, a relação. Aceita um relacionamento destrutivo, tolera humilhações. Sofre com a falta de atenção do ser amado – real ou imaginária. Reage de forma desesperada à rejeição. Tem necessidade de controle do outro – mesmo quando este já virou ex. Às vezes por toda a vida.

Próximo Post: a mulher que comprou uma arma e planejou a morte do marido


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(Acesse a introdução para ver o índice)


Exorto-vos como todas as minhas forças para alguns de vocês que Deus está tocando a consciência. Eu estou aqui para suplicar-lhes, com lágrimas se necessário, a desistirem de seus pecados secretos. Tenho pessoas aqui por quem bendigo a Deus, eu os amo, apesar de não conhecê-los. Vocês estão quase persuadidos a serem cristãos, vacilam entre dois pensamentos, desejam servir a Deus, abandonar seus pecados, mas consideram que é uma luta difícil, e agora não sabem o que será. Eu falo a ti com todo o meu amor, meu amigo – conservarás o pecado e irás para o inferno, ou deixarás seu pecado e irás ou céu. Esta é uma solene alternativa. Apresento ela a todos os pecadores que tem sido hoje despertados, que Deus tenha escolhido você, de outra maneira temo em pensar qual a alternativa poderás escolher. Os prazeres da vida são intoxicantes, seus gozos entorpecem de tal maneira, que se não lembrasse que Deus é que muda nossas vontades, não haveria esperança para você. Mas confio em Deus para resolver tal assunto.

Deixa-me colocar diante de vocês a alternativa: De uma lado está uma breve alegria, uma breve vida aqui, será pobre, pobre e breve vida; por outro lado, ha uma vida eterna e glória perpétua. De em lada há uma felicidade transitória, e depois, esmagadora aflição; no outro caso há uma sólida paz e gozo eterno e superabundante bem-aventurança. Não fico com medo de ser chamado, sendo calvinista, de arminiano, quando digo como Elias: “Até quando coxeareis entre dois caminhos? Se o Senhor é Deus; siga-o; mas se é baal, siga-o”

Mas agora, voluntariamente, faça uma escolha, e que Deus te ajude a fazê-lo! Não digam que estás indo adotar o cristianismo sem levar em conta o custo, lembre-se, sem lamúrias terás que renunciar seus prazeres. Podem fazê-lo por Cristo? Podem? Eu sei que você não pode, salvo se a graça de Deus vos conduzir nessa escolha. Mas podem dizer: “sim, pelo poder de Deus eu renuncio a todos os prazeres e atrativos da terra, as suas pombas e bugingangas”?
“Nada pode me Satisfazer Dá-me Cristo, ou morro”
Pecador, nunca te arrependerás dessa escolha, Deus te leve a tomá-la; encontrarás a felicidade aqui, e serás três vezes mais feliz por toda a eternidade.

“Mas”, dirá alguém, “Senhor, não tenho a intenção de ser religioso, e não estou de acordo com tua severidade”. Eu não peço isso; só espero, isto sim, que dê crédito a Severidade de Deus, e a severidade de Deus e dez mil vezes maior que a minha. Podes dizer que eu sou Puritano em minha pregação; Deus será Puritano quando chegar aquele grande dia. Posso ter parecido severo, mas nunca poderia ser tão severo como será o Senhor.
Eu posso passar o ferro afiado em sua consciência, mas Deus passará ferro em brasa eterna em todo teu ser um dia. Eu posso falar coisas que trovejam! Deus não as dirá, e sim as lançará sobre tuas mãos. Lembre-se que os homens podem rir do inferno, e dizer que não existe; mas eles devem rejeitar completamente a Bíblia antes de acreditarem nessa mentira. A consciência do homem lhe dize que:
“Há um inferno terrível, E dores eternas; Onde os pecadores com o diabo devem morar, Em trevas, fogo e cadeias.”
Senhores, conservarão seus pecados secretos e merecerão o fogo eterno por eles? Lembrem-se que não há opção a não ser renunciar a todos eles, pois do contrário jamais serão filhos de Deus. Não se pode ter ambas as coisas; não podem ser de Deus e do mundo, não podem ser de Cristo e do diabo, deve ser um ou outro. Ah! Que Deus lhes dê graça para renunciar a todos os pecados; pois quanto valem? São seus enganadores agora, e serão seus torturadores para sempre.

Oh, que seus olhos sejam abertos para ver a podridão, o vazio e o embuste da iniqüidade. Oh! Que Deus os leve de volta para Ele! Oh! Que Deus lhes dê graça para atravessar o Rubicão do arrependimento neste momento; para que digam: “a partir de agora é uma guerra de morte com os meus pecados; não vou manter nenhum deles voluntariamente, mas para fora com eles, fora com eles, os Cananeus, Heteus, Jebuseus, todos serão expulsos”
“O ídolo mais amado que tenho conhecid0, Seja qual for; Ajuda-me a derrubá-lo do seu trono. E adorar somente a Ti.”
“Mas, oh! Senhor, não posso fazê-lo; seria como arrancar os olhos”. Ah! Escute o que Cristo disse: “melhor é entrar com um olho só na vida, que tendo os dois olhos e seres lançado no fogo do inferno” – “Oh! Mas isso seria como arrancar um braço” – “É melhor entrar na vida coxo e manco, que ser lançado no fogo do inferno” - Oh! Quando um pecador vem diante de Deus afinal, pensas que falarás com faz agora? Deus revelará teus pecados secretos: O pecador não dirá então: “Senhor, eu considerava os meus pecados secretos tão doces, que não podia abandoná-los”

Eu imagino quão diferente será então. “Senhor”, me dizem agora, “És demasiado rigoroso;”dirão isso quando os olhos do Todo-Poderoso estiverem os mirando em ira? Podes me dizer agora: “O Senhor é preciso demais”, mas irão dizer isso diante da face do Deus Todo-Poderoso? “Senhor, tenho a intenção de conservar tal e tal pecado”. Você poderá dizer isso no Tribunal de Deus no fim? Não se atreverão fazê-lo naquele momento.

Ah, quando Cristo voltar pela segunda vez, haverá uma mudança notável na maneira como os homens falam. Posso vê-lo ali, assentado em Seu Trono. Vamos, Caifás, vem condená-lo agora! Judas, vem e lhe dê um beijo agora! Homem, qual o seu problema agora? Estás com medo? Vamos, Barrabás, veja se te preferem agora em lugar de Cristo. Blasfemo, agora é o teu momento, tens sido um homem valente, maldiga-O em sua cara agora. Agora, bêbado, caminhe cambaleante em direção a Ele agora.

Vamos , infiel, diga agora que não há um Cristo; agora que o mundo está iluminado aceso com Seu raio e a terra tremendo com os trovões até seus alicerces se esvaírem; diga a Deus agora que não há Deus; ria agora da Bíblia; zombe do agora do ministro. Vamos, cavaleiros, qual é o problema com vocês? O quê, não podem dizê-lo? Ah! Lá estão eles, fugindo para os montes e as rochas: “e dizem aos montes e as rochas: caiam sobre nós, e nos esconda da face daquele que está assentado no Trono”. Ah! Onde está agora a jactância, seu orgulho e suas glórias? Ai, ai, ai de ti naquele terrível dia de maravilhas.

Pecador secreto, que será de ti então? Saiam desse lugar sem tua máscara; sai para examinar-te, sai para dobrar seu joelhos, sai para chorar, sai para orar. Que Deus lhe dê a graça de crer! E, oh! Quão agradável é o pensamento que hoje os pecadores estão indo se refugiar em Cristo, e homens te, nascido de novo em Jesus!

Irmãos, antes de concluir, repito as palavras que causaram tanta controvérsia: é agora ou nunca, é voltar ou se perder . E digo solenemente diante dos olhos de Deus, se não for a Verdade de Deus, eu devo dar conta a Ele naquele grande dia do acerto de contas. Sua consciência lhe diz que é verdade. Leve-a para casa, e zombe de mim se quiserem; hoje eu sou inocente do seu sangue: se alguém não busca Deus, se quer viver no pecado, eu estarei limpo do seu sangue naquele dia quando for cobrado suas almas das mãos do que devia proclamar. Oh, que Deus permita que sejam limpos de uma maneira bendita!

Quando desci as escadas do púlpito no domingo passado, ou talvez, há dois domingos passados, um amigo me dirigiu uma palavras que tem permanecido em minha mente deste então: “Senhor, há nove mil pessoas hoje que não terão nenhuma desculpa no Dia do Juízo”. Isso vale para vocês também hoje. Se forem condenados, não será por falta de pregação para você, nem por falta de oração por vocês. Deus sabe que se meu coração pudesse ser partido por suas almas, eu partiria, porque Deus é minha testemunha, de como eu amo todos vocês o entranhável amor em Jesus Cristo.

Oh! Que Ele mude seus corações e os leve a Ele! Pois a morte é algo solene, a condenação é terrível, estar sem cristo é algo horrendo, estar morto em pecados é algo pavoroso. Que Deus os guie a ver as coisas como são, e os salve por Sua misericórdia! “Aquele que crê e for batizado, será salva.”

"Senhor, esquadrinhe minha alma, prove cada pensamento;
Embora o meu coração não me acuse
De caminhar com um falso disfarce,
Rogo o julgamento dos Teus olhos.

Que perversidade secreta se oculta em mim?
Estou cedendo ante algum pecado desconhecido?
Oh! Mude meus passos quando me extraviares
E conduze-me em Teu caminho perfeito.”
Se você tem facebook, poderá perceber de forma mais nítida a duração das relações de hoje. A uma semana "está em uma relacionamento sério", depois de uma semana "passou de uma relacionamento sério para solteiro". Resolvi perguntar algumas pessoas no Ask o porque disso, já que elas são telespectadores ou mesmo protagonistas desse fato. Achei as resposta um tanto quanto corentes. Vamos ver:

Medo de ficar só.
"Porque as pessoas , não sabem esperar a chegada da pessoa certa , portanto se desesperam por medo de ficarem só e se apegam a qualquer coisa que aparece em seu caminho , vivem aquilo descobrem que estão errando, sendo assim as pessoas e os sentimentos se tornam descartaveis" - Yasmim

Troca de amor por promicuidade.
"Porq as pessoas são falsas, e preferem alguns minutos com varias pessoas do qq uma vida toda ao lado de alguem qq saiba amaar de vdd ' , putaria x amor , o que ta ganho é a putaria" - Larissa 

"Por que depois que o sexo ficou fácil de conseguir o amor ficou difícil de encontrar, e sem amor nada permanece" - Stela

Falta de amor.
"Por que ninguém sabe mais amar" - Mikaely

"Não existe amor, é só troca de favor" - Lohana

Aparência e trauma.
"pq hj em dia as pessoas nao levam a serio os seus sentimentos julgam mto aparecencia e acham q pq ja sofreu algum dia deve discontar isso no proximo relacionamento ai foi traido ai pega e sai traindo todo mundo nao foi levado a serio ai nao acredita mais em ninguem e por estar havendo tantas pessoas safadas ta todo mundo generalizando e esquecendo que ninguen e igual
e tanta coisa q atrapalha os relacionamentos de hoje em dia" - Jackelyne

"Penso que é por conta das Traiçoes , e hoje em Dia as pessoas estão querendo é mais é ficar sem compromisso" - Beatriz

Sem fundamento, alicerce.
"Por que hoje em dia qualquer briga ou desentendimento é motivo para terminar. Parece que as pessoas não sabem que a base de um relacionamento é o dialogo e a amizade, e também o que conta nos dias de hoje é a "quantidade", por exemplo: Quantas namoradas ou namorados uma pessoa já teve. Ngm quer mais nada serio." - Caren

Não querem sofrer o dano, ou aderir com as consequências.
"poorque as pessoas nãão se amam de verdade ! preferem fugir de problemas ao invés de concertá los!" - Isabela

Se está insatisfeito, é hora de trocar.
"porque hoje em dia tá tudo tão fácil..." - Juliana

Precocidade.
"Desde que o sexo fico facil o amor esta dificil de ser encontrado
As pessoas começam um relacionamento ja pensando no final dele
Hoje eles nao fazem mais questão de passar o resto da vida com uma pesssoa só
Por isso os relacionamentos duram tão pouco hoje em dia" - Taynara

Infidelidade.
"Pq os relacionamentos ao invez de ser entre 2 pessoas estão sendo de 3 a mais" - Bianca

Pra não ficar pra trás.
"A porque hoje em dia namoro virou modinha as pessoas se conhecem ne um dia no outro ja ta namorando mesmo sem gostar da pessoa" - Joyce

Pessoas imaturas.
"Porque as pessoas são falsas,porque mentem umas para as outras,e porque falta amor,e elas não fazem por onde,para "criar" esse amor entre elas." - Emanuela



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Agora, João, você acha que não há nada errado em uma coisa até que alguém veja, não é? Sente que é um grande pecado que teu patrão descubra que você está roubando o caixa, mas que não é nada demais se ninguém descobre o seu pecado. E você, senhor, que imagina que é muito grave tua fraude nos negócios se fores descoberto e levado a justiça, mas se não fores descoberto, está tudo bem: Não diga nada a esse respeito, Sr. Spurgeon, se trata de negócios, e não deves se intrometer nos negócios; as fraudes que não são descobertas, não devem representar nenhum problema para você. A medida comum de pecado é a sua notoriedade. Mas eu não acredito nisso. Um pecado é um pecado, se o cometes em segredo ou diante do mundo inteiro.

É curioso como os homens medem a culpa. Um trabalhador da estrada de ferro põe o sinal equivocadamente e ocorre um acidente; o homem é julgado e severamente censurado. No dia anterior também tinha colocado um sinal errado, mas não houve acidente algum e, portanto, ninguém o acusou por seu descuido e relaxamento. Mas foi exatamente o mesmo erro – com acidente ou sem acidente; o acidente não gerou a culpa, mas o ato – mas sem a notoriedade e a repercussão. Era sua responsabilidade ser cuidadoso. E ele é tão culpado na primeira como na segunda vez que, em sua negligência, expôs vidas humanas ao perigo mortal. Não meça o pecado pelo que outras pessoas dizem sobre ele, mas pelo que Deus diz a respeito dele, e como suas consciências protestam contra ele.

Agora, eu sustento que o pecado secreto, em qualquer circunstância, é o maior pecado, porque o pecado secreto implica que o homem que o comete tem aninhado e acalentado o ateísmo em seu coração. Se me perguntarem como pode ser isso? Eu respondo que essa pessoa pode até professar ser um cristão, mas eu lhe direi na sua cara que é um ateu na prática, se se esforça para manter uma profissão respeitável diante dos homens, e transgride em secreto. Diga-me, acaso não é um ateu aquele que diz que há um Deus, mas que ao mesmo tempo se importa mas com os homens do que com Deus?

Não é a própria essência do ateísmo, não é negação da divindade do Altíssimo, quando homens dão pouco valor a Deus e dão máxima importância aos olhos da criatura do que a observação do Criador? Há pessoas que por nada no mundo diriam palavras torpes na frente de um ministro, mas podem dizer normalmente sabendo que Deus está vendo. Esses são ateus. Há alguns que não iriam trapacear nos negócios por nada no mundo se souberem que serão descobertos, mas podem fazê-lo sabendo que Deus vê, isto é, valorizam o olho humano muito mais do que os olhos de Deus; e pensam que é pior ser condenado pelos homens do que ser condenado por Deus. Chame-o como quiserem, mas seu nome correto é ateísmo prático. É uma desonra para Deus; é destroná-lo, é colocá-lo abaixo de suas criaturas. E o que é isso senão negar a sua Divindade?

Irmãos, eu imploro que não incorram na culpa dos pecados secretos. Ninguém pode pecar pouco em secreto, pois certamente cairá em mais pecados. Ninguém pode ser um hipócrita e dizer ter uma falta moderada. Irá de mal a pior, e continuará assim até que sua culpa seja publicada, será então exposto como o pior e mais duro dos homens. Atribuam a mais severa importância a culpa do pecado secreto.

Ah! se eu pudesse falar como Rowland Hill fazia, fazendo as pessoas sentirem que estava falando pessoalmente para elas e as fazerem tremer! Se diz que quando ele pregava, não havia nenhum homem junto a janela que fosse, ou no meio da multidão, ou sentado na galeria, que não falasse: “Hey – é para mim que você está pregando, está falando acerca dos meus pecados secretos”. E quando ele proclamava o onisciência de Deus, é dito que os homens estavam inclinados a acreditar que estavam vendo Deus ‘corporalmente’ entre eles, olhando-os. E quando ele terminou o sermão, escutavam uma voz sussurrando em seus ouvidos: “Pode alguém se esconder, diz o Senhor, em um esconderijo que Eu não veja? Eu não encho, diz o Senhor, o céu e a terra?”

Eu gostaria de poder fazer o mesmo. Fazer com que cada homem olhasse para si e descobrisse seu pecado secreto.

Vamos, irmãos, o que é? Traga-o a luz do dia; talvez ele morra sob a luz do sol. Aquilo que não gostaria se fosse descoberto. Diz agora a tua própria consciência o que é. Olhe em sua face; confesse diante de Deus, e Ele te dará graça para vencer este pecado e qualquer outro, e te levará para Ele em pleno propósito e de todo coração! E eu acrescento isso para ti, que a sua culpa é culpa, se for descoberta ou não, e se existe alguma diferença é para pior, pois é uma culpa maior, porque tem sido secreta. Deus nos livre da culpa do pecado secreto! “Livra-me do que me são ocultos”.
Quem não as tem? Quem nunca as teve? Quem jamais as terá? Sim, de todos os tipos e de todas as formas. Indo de realidades subjetivas às mais grotescas vontades de realizações objetivas e concretas. O Evangelho praticamente inicia com o tema da tentação! Por isto não é de admirar que Jesus tenha nos mandado vigiar e orar para não se “cair em tentação”. E com este “cair em...”, Ele revela que a tentação tem suas estações; ou seja: seasons. Ora, esta “estação das tentações” têm a ver com as dinâmicas psiquicas de nosso ser, conforme também aconteceu com Jesus. Na fome, na necessidade de afirmação e no desejo de cumprir Sua missão, a tentação veio como indução para transformar pedras em pães (fome), como impulso para resolver quem Ele era aos olhos de todos de uma vez (Pináculo) e como um “bypass” no tempo, queimando etapas, sobretudo a etapa da Cruz (o Monte Alto).

Portanto, quando Ele mandou orar para evitar a tentação, com isto não ensinava nem a devoção neurótica (orar contra a tentação), nem a atitude paranóica (poderei ser atingido pela tentação a qualquer momento). Sim, porque o que Ele ordena é que se encha a mente de oração, de um falar constante com Deus, e que nada mais é senão um falar consigo mesmo em Deus; de tal modo que o pensar não é de si para si, mas acontece em Deus, vivendo assim em permanente estado de conferência com Ele; em tudo. Além disso, no Pai Nosso, Ele vincula o “não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mau” — ao contexto antecedente, que fala de estar cheio e tomado pelo Pai, pelo desejo de que Seu nome seja em nós santificado, que sei reino cresça em nós (venha!), que a vontade Dele tenha seu lugar e chão em nós; além de nos remetar para a busca do que é do céu aqui na Terra.

Assim, uma das maiores prevenções contra a tentação tem a ver com uma devoção profunda e não neurótica; posto que se propõe a buscar o que é maior e mais elevado, ao invés de se deixar tomar pelo que aqui da Terra. Botar as coisas da Terra sobre aquilo que é eterno, é o que abre o espaço existencial maior para a tentação. Portanto, “orai...”, diz Ele, para que não se caia em tentação! É esse orar aquilo que mais e melhor previne a estação das tentações. Todavia, se alguém decide orar contra ou por causa da tentação, mais tentado ainda ficará; posto que a tentação, pela via da oração e por ela própria, se torna algo “fixo como pensamento”, e que apenas cresce mais e mais em nós.

Este tema da tentação é interminável, como infindáveis são as pulsões de tentação humana. Entretanto, sendo simples e prático, eu digo que o que de melhor se pode fazer por si mesmo na hora da tentação, não é pensar que podemos vencê-la, mas sim que não temos o poder, em nossa carne, para combatê-la. E, assim, sabendo disso, virmos a descansarmos em relação à tentação, pois ela se alimenta de nossa luta contra ela. Afinal, o que não pode ser vencido pelas nossas próprias forças, havendo confiança na Graça, já deveria estar vencido como ansiedade em nós; pois, se não posso, por que se afligir com tal impossibilidade? Assim, é esse cinismo santo para com o poder da tentação, e que resulta de nossa confiança na Graça de Deus, aquilo que deve tirar o poder da ansiedade e do medo pelo qual a tentação cria metástases em nossa mente, em todo o nosso processo de pensar. Quanto mais se enfrenta a tentação como tal, mais ela cresce em nós; e se orarmos contra ou em razão dela, mais ela se "fixa" em nós; tornando-se uma devoção diabólica; fazendo-nos “orar” contra aquilo que só se torna o que tememos quando é tratado como tal.

A única maneira de enfrentá-la é deixando-a rouca, falando sozinha, sem resposta nossa, enquanto nos desobrigamos de conversar com ela... ou de respondê-la... ou de mostrar para Deus e para nós mesmo que temos "o poder do livramento"... e que por isto a venceremos. Isto porque o “poder do livramento” do qual nos fala Paulo, escrevendo aos Coríntios, só se efetiva na vida daquele que descansa no livramento que já é; e que não apenas será se o tornarmos real por nossas próprias forças!

Quando se confia na Graça e no amor de Deus por nós, toda tentação perde seu poder; e se descansarmos na certeza de que Jesus já foi também tentado por nós, conhecendo cada uma de nossas fraquezas ou tendências, mais vicária e transferível, pela fé, será a vitória de Jesus em nosso favor. Se houver confiança e descanso, é claro! Desse modo, descansando é que se vence a tentação, confiando na fidelidade e na imutabilidade do amor de Deus. Pois só assim recebemos o poder de resistir, ou de suportar a tentação; posto que desse ponto em diante as tentações deixam de ser “sobre-humanas”, e se tornam apenas humanas; e, portanto, reduzidas ao nosso próprio nível, deixando de ser um poder irresistível. Paulo e Hebreus ensinam que as tentações não suportam o nosso silêncio confiante na Graça; assim como não suportam nosso descanso na Cruz de Cristo. Afinal, o “Está Consumado” vale também para as tentações.

As tentações crescem na medida em que nossas pulsões psicológicas, provocadas pelas nossas próprias cobiças (insegurança essencial) — e que são os agentes progenitores do que chamamos tentação —, se aninham e se fixam em nós como medo de Deus e de Sua punição. Sim, por essa via elas apenas aumentam, visto que tal realidade existencial e psicológica aceita a provocação do "medo de estar sendo tentado". Do mesmo modo elas crescem em razão de nosso de-bate com elas.

Tentação come medo; e se alimenta do seguinte cardápio: oração amedrontada, de-bate psicológico,
discussão com ela, medo de Deus; e também de seu oposto, que é a arrogância que julga que por força própria se pode vencê-la. Quem já não tem justiça própria, não tem mais assunto com nenhuma tentação! "Vamo-nos daqui... Aí vem o principe deste mundo, e ele nada tem em mim..." — disse Jesus. O principe deste mundo se alimenta do que “ele tem em nós”! Assim, como há muita cobiça e outras loucuras em todos nós, o melhor a fazer é confiar Naquele em quem o tal “principe” nunca teve NADA: Jesus. Parece coisa boba, mas não é!

Quem desejar, pratique; e verá como as tentações não suportam a confiança e o descando na Graça;
e isso em silêncio que nem ora contra... mas apenas ora em gratidão! O grande problema é aprender isto como confiança, e não como “teoria”. E mais: aprender a ser grato e natural com Deus mesmo em tais horas críticas. Quando a gente aprende isto, ela, a tentação, ao chegar, começa a perder o poder; posto que se alimenta de nossas importâncias; e sobretudo de nossa justiça-própria, de nossa necessidade de dar explicações a nós mesmos e aos céus; e, sobretudo, do medo de estar sendo tentado!
Caio Fábio
www.caiofabio.net



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Um perigo é que o homem não pode cometer um ‘pecadinho’ secreto sem que, com o tempo, se converta em um pecado público. Se cometes um pecado, é como quando se derrete as geleiras nos vales do Alpes; o resto virá em seguida. Hoje uma pedra é colocada num monte, no dia seguinte você coloca outra, e assim sucessivamente, até que a pilha de pedra se torna uma pirâmide. 

Veja o pequeno inseto em seu trabalho. Ele não edificará sua toca exatamente tão alta quanto imaginas, mas não vai parar até que as ervas daninhas em decomposição a cubram, e em seguida continuará, e finalmente, um grande monte é construído por essas minúsculas criaturas.

O pecado não pode ser contido pela sela e a rédea como com o cavalo. “Mas eu só vou tomar um gole de vez em quando, só vou ficar bêbado uma vez por semana ou algo assim. Ninguém vai ver, eu vou direto para a cama. Logo você estará bêbado nas ruas. “Eu vou ler esse livro lascivo e vou esconder debaixo da cama caso entre alguém”. Todavia irá mantê-lo em sua biblioteca amigo. “Eu só vou me encontrar com esses amigos às vezes”. Logo estarás com eles todos os dias, tal é o seu caráter sedutor; não podes evitá-lo. E o mesmo que pedir ao leão para enfiar a cabeça entre suas mandíbulas. Você não pode controlar suas mandíbulas: também não poderá controlar o pecado. Uma vez em que adentras ao pecado, não poderá decidir quando ele será destruído. Podes ser um indivíduo tão sortudo que, como Van Amburgh, coloque e tire a cabeça muitas vezes, mas não podes ter certeza se a aventura lhe custará a vida.

E você pode se empenhar em ocultar o seu hábito depravado, mas ele sairá a luz, você não pode evitar. Você guarda seu pequeno e favorito pecado em casa, mas como com um cãozinho, ele sairá correndo quando a porta estiver aberta. Cubra-o em teu colo, coloque-o sobre várias camadas de hipocrisia para mantê-lo em segredo, mas o infeliz como um pássaro, cantará quando outras pessoas estiverem presente; é impossível manter quieto para sempre o pássaro do mal. Teu pecado irá aflorar, e pior, nesse dia estarás já tão indiferente a ele que não mais se importará. O homem que se entrega ao pecado privado, gradualmente vai se tornando tão duro quanto o bronze.

A primeira vez que pecou assim, gotas de suor surgiram em sua testa, já na segunda vez não havia suor lá, só uma certa agitação; na terceira vez, havia um aspecto astuto e furtivo, mas não mais a agitação, na próxima vez, pecou um pouco mais; e gradualmente se tornou blasfemo em sua ousadia diante de Deus a ponto de exclamar: “Quem sou eu para que tema o Senhor, e quem é Ele para que o sirva?”

Os homens vão de mal a pior. Ponha teu barco na correnteza, e seguramente ele irá para onde ela o arraste. Coloque-o em um furacão, e será como um graveto ao vento, você não o controlará. O balão pode ser usado, mas não poderá controlar o seu curso, ele irá para onde o vento o levar. Se tu monta em um pecado uma vez, não há forma de detê-lo e controlá-lo. Tenha cuidado, se não queres estar entre os piores indivíduos, cuidado com os ‘pequenos’ pecados, porque eles quando empilhados uns sobre os outros, chegam ao topo e destroem a alma para sempre. Há um grande perigo em pecados secretos.

Mas há cristão aqui que consentem com pecados secretos. Afirmam que são pequenos pecados, e por isso podem deixá-los de lado. Queridos , eu falo com vocês agora, e eu falo também para mim mesmo quando digo isto: Abandonemos todos os nosso pequenos pecados secretos. Podemos chamá-los de pequenos, e eles são pequenas raposas, lembro-lhes que são as raposinhas que destroem as nossas vinhas, nossas vinhas são brotos tenros. Vamos cuidar de nossos “pequenos” pecados. Um pecadinho, como um pedrinha em um sapato, atrapalhará a caminhada em direção ao céu. Como os pequenos ladrões podem abrir a porta para os grandes que estão do lado de fora.

Cristãos, lembrem-se que os pequenos pecados deterioram sua comunhão com Cristo. Os pequenos pecados, como pequenas manchas na seda, podem destruir a fina textura da comunhão. Os pequenos pecados, como os pequenos defeitos de uma grande máquina, podem destruir todo o tecido da sua religião. Uma mosca morta arruína todo o vidro de perfume. Este pequeno cardo pode encher um continente inteiro de ervas daninhas.

Irmãos, matemos nossos pecados tão logo os descubramos. Alguém disse: O coração está cheio de aves impuras. É sua jaula”. “Ah!”, disse outro teólogo, “mas você não deve fazer disso uma desculpa, pois sua responsabilidade como cristão é torcer o pescoço de todos eles”. E é. Se existem coisas ruins, a nossa responsabilidade é matá-las. Os cristãos não devem tolerar pecados secretos. Não devemos abrigar traidores, pois é alta traição contra o Rei do Céu. Arrastemo-los a luz do dia, e sacrifiquemos cada um deles diante do altar, renunciando nossos pecados secretos mas queridos, seguindo voluntariamente os mandamentos de Deus. Há um grande perigo em um pequeno pecado secreto, por isso, os evitemos completamente, passemos longe deles, nos desviemos para evitá-los, e que Deus nos dê sua graça para que possamos dominá-los!



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De todos os pecadores, o homem que faz uma profissão religiosa e ainda vive na injustiça, é o mais miserável. Um ímpio descarado, que toma o copo na mão e diz: “Eu sou um bêbado, e eu não me envergonho disso” – será indescritivelmente miserável no mundo que está por vir, mas teve sua breve hora e momento de prazer. Um homem que diz maldições e blasfêmias e diz: “Este é o meu costume, eu sou um blasfemo”, e faz disso uma profissão, tem ao menos alguma “paz” sem sua alma, mas o homem que anda com o ministro de Deus, que está unido a igreja de Deus, que vai ao povo de Deus e se une a ele, e então vive em pecado, quão miserável deve ser sua vida! Tem uma vida pior do que a do rato que está em seu esconderijo e corre em segredo para pegar migalhas, e em seguida, retorna rapidamente para o seu buraco. Esses homens devem se apressar para o pecado de vez em quando, e Oh Quão temeroso está de ser descoberto! Um dia, talvez, ele mostre o seu caráter, mas com maravilhosa astúcia consegue esconder e disfarçar, mas no dia seguinte algo acontece de novo, e vive então em constante medo, dizendo mentira após mentira, fazendo com que a última seja convincente, acrescentando engano a engano para que os outros não descubram.
“Oh, é uma amaranhada teia que tecemos, Quando uma vez nos aventuramos a enganar”
Se eu vou ser ímpio, levarei a vida de um pecado fanfarrão, que peca diante da face do dia; mas, se peco, não vou agir como um hipócrita e um covarde. Não vou professar ser de Deus, enquanto passo a vida com o diabo. Essa truque do diabo é algo que todo o pecador “honesto” deveria se envergonhar. Ele dirá: “Agora, se eu verdadeiramente sirvo ao meu senhor, lhe servirei de forma declarada, e não fingir a respeito disso; se faço um profissão, a cumprirei; mas se não faço, se vivo em pecado, não vou escondê-lo por meio da hipocrisia e falsidade”. Algo que tem paralisado a igreja e que tem partido o seu vigor, é a mais infame hipocrisia. Ah, em quantos lugares há homens a quem poderíamos louvar até o próprio céu, se crêssemos em suas palavras, mas que nos jogariam no próprio inferno se pudéssemos ver suas ações secretas. Que Deus conceda perdão a qualquer um que esteja agindo assim.

Eu quase diria que dificilmente poderia perdoá-lo. Eu posso perdoar um homem que se entrega ao pecado abertamente e não professa ser melhor. Mas um homem que adula, que fala com engano, e simula, e ora, enquanto vive em pecado, a esse homem eu desprezo, não posso suportá-lo, o aborreço com minha alma. Se abandonasse esse caminho, o amaria, mas em sua hipocrisia, é para mim a mais desprezível de todas as criaturas.

Há um conto que diz que um sapo leva na verdade uma jóia em sua cabeça, mas este homem não tem nenhuma, mas carrega imundícia simulando estar amando a justiça. Uma mera profissão, meus senhores, não é nada mais que uma maquiagem ostensiva de quem está indo para o inferno, é como as plumas no carro fúnebre levado por cavalos negros que arrastam os homens a suas tumbas. Cuidem-se, acima de todas as coisas, de uma profissão feita de cera que não resiste aos raios do sol; evite uma vida que necessita de duas caras; deves ser uma coisa ou outra. Se decidires servir Satanás, não finja servir a Deus, mas se pretendes servir a Deus; O sirva de todo o coração. “Ninguém pode servir a dois senhores”; não insista nisso, pois não existe uma vida mais miserável que essa. Acima de todas as coisas, evite qualquer ato que seja necessário ser escondido.

Há um singular poema escrito por Hood, chamado “O Senhor de Eugenio Aram, uma poesia notável que ilustra bem o ponto que estou querendo fixar em suas mentes. Aram matou um homem e jogou o seu corpo num rio. “Uma lenta corrente, negra como tinta, profunda ao extremo”. No dia seguinte vai visitar a cena do seu crime:

“Eu busco o negro poço maldito, Com um olhar desconfiado e receoso; E ele viu o morto no leito do rio, Pois o infiel curso estava seco”.
Em seguida, ele cobriu o cadáver com muitas folhas, mas um vento forte varreu a floresta deixando seu segredo exposto ao sol;
“Então eu caí de rosto em terra, E pela primeira vez comecei a chorar, Pois descobri que meu segredo era tal Que a terra recusou guardar, Em terra ou no mar, onde quer que fosse Mesmo a dez mil metros de profundidade.”
Ele profetiza que será descoberto com notas melancólicas. Ele enterrou sua vítima em uma cova cobriu com pedras, mas quando os anos completaram sua cansada ronda, o fato macabro foi descoberto e o assassino foi executado.

A culpa é um “mordomo sinistro”, e tem seus dedos estão manchados de sangue. Os pecados secretos trazem olhos febris e noites sem dormir, até que os homens destroem e apagam suas consciências, mas se tornam maduros para a sepultura. A hipocrisia é um jogo difícil de se jogar, pois deve enganar a muitos observadores; e certamente é uma troca miserável que nos conduzirá a um fim, com seu grande clímax numa precisa falência total. Ah! – você que pecou sem serem descoberto, “tenha certeza que seu pecado há de encontrá-lo”; e pode ter certeza que encontrarão antes que passe muito tempo. O pecado, como o assassinato, será descoberto; os homens contam suas histórias até em seus sonhos. Deus tem picado muitas vezes os homens em suas consciências, até que foram obrigados a confessar a sua história.

Pecado secreto! Se quiser um prenúncio da condenação aqui na terra, continue com teus pecados secretos, pois nada é mais miserável que o homem que peca secretamente e trata de tentar preservar a sua imagem. Um cervo perseguido por cães sangrentos com suas bocas abertas, é muito mais feliz do que o homem que é perseguido por seus pecados. Aquele pássaro preso no laço do passarinheiro lutando para escapar, é muito mais feliz do que aquele que se tem enredado na rede do engano e se esforça pra escapar dela todos os dias se esforçando ao máximo, e ela se torna mais forte a cada dia. Ah, a miséria dos pecado secretos! De fato tu podes orar agora: “Livra-me dos que me são ocultos”.
Alimentar emoções passageiras que nascem no coração pode fazer com que uma vida inteira seja prejudicada e se torne repleta de decepções e mágoas. Afinal, a Bíblia mostra que o coração foi feito para sentir e não para pensar. Enganoso é o coração, mais do que todas as coIsas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? (Jeremias 17.9).

Para construir uma família bem edificada, é preciso distinguir o amor verdadeiro da paixão. Por isso, deve-se fugir das armadilhas deste mundo, mantendo- se sensível para ouvir a voz de Deus. Se analisamos estes dois sentimentos citados, veremos que são bem diferentes. O amor é paciente, benigno, não arde em ciúmes, não se exaspera, não se ensoberbece, não se ressente do mal (I Cor. 13:4-5) e de todos, ele é o mais importante. Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor (I Coríntios 1:13).

Já a paixão é demasiadamente ciumenta e possessiva. Muitos jovens conhecem uma garota “bonitinha” que lhes desperta interesse e, inicialmente, parece ser tudo aquilo que eles desejavam. Logo se apaixonam e começam a acreditar que estão amando. Porém, envolvidos pelo sentimento, não prestam a atenção na sua conduta, se ela é realmente uma pessoa idônea, honesta, cuidadosa e fiel a Deus, características essenciais em alguém para que um seja namoro feliz.

Para Dárcio Miranda, psicólogo clínico especialista na linha comportamental cognitiva (que baseia-se na teoria de aprendizagem social), ter esta atitude é um grande engano. “Não existe amor a primeira vista. A paixão resulta basicamente no sentido primário e o amor no secundário, pois a paixão deriva de um sentimento de interesse onde haverá muita sexualidade envolvida”, afirma. Ele explica que a palavra paixão deriva do prefixo grego patus que significa patologia-doença.

Para o especialista, a paixão no início de um relacionamento é algo natural do ser humano e sua tendência é se desenvolver e se transformar no amor em função da relação que vivem as duas pessoas demostrando interesse mútuo. Porém, só irá ser desta forma, quando existe reciprocidade de pensamentos e sentimentos. O psicólogo chama a atenção para um perigo, a permanência da paixão. Segundo Dárcio, caso isto persista por muito tempo, se tornará em uma situação nada saudável. Pelo contrário, vai gerar ciúmes e sentimentos possessivos, chegando a comprometer esta vida em comum. “Em uma relação amorosa, a paixão é admissível no início, mas um relacionamento sustentado por ela, não será proveitoso”.

Apêndice

Podemos dizer que a paixão é justamente o afeto, a vaidade, o desejo atrativo. Sendo assim, não podemos desprezá-lo, mas sim, não colocarmos como fundamento, pois ele é também importante no relacionamento. O amor é a emoção incondicional. Ele sobrevive sem o desejo, sem a beleza. Não é egoísta porque ama, e por isso, é altruísta. Porquanto, para a plenitude dos corações, é bom que eles estejam juntas, pois, uma paixão sem amor não dura, e amor sem paixão não tem graça.



(Acesse a introdução para ver o índice)


Hipócrita, você é formoso quando os outros te vêem, tua conduta externa é reta, afável, liberal, generosa e cristã; mas você se entrega a pecados que os olhos dos homens não detectaram. Talvez tenhas o teu frenesi privado. Não anda e cambaleia bêbado pelas ruas, mas se entrega a bebida em privado. Pode ser qualquer outro apetite ou vicio, não me compete especificá-los neste momento. Mas, hipócrita, te digo que és um tolo quando pensa em hospedar um pecado secreto. 

Você é um tolo por uma razão especial, teu pecado não é um pecado secreto, é conhecido e será revelado um dia, talvez muito em breve. Teu pecado não é um segredo pois os olhos de Deus o tem visto, você pecou diante de Sua face. Você fechou a porta, você fechou as cortinas, você se escondeu da luz do sol, mas os olhos de Deus penetram a escuridão, as sombras que te rodeavam e vê tudo como ao sol do meio-dia todas as coisas. Você não Sabe, ó homem, que “todas as coisas estão nuas e patentes diante dos olhos dAquele que devemos prestar contas?

Quando um sacerdote enfiava a faca nas entranhas do animal do sacrifício, descobria ali o coração e o fígado, e tudo que estava nas entranhas. Assim és tu, ó homem, visto por Deus; cortado em duas metades pelo Todo-Poderoso. Não tens nenhuma câmara secreta onde possa se esconder. Não tens nenhum porão escuro onde possa esconder tua alma.

Você não tem câmara secreta onde você pode se esconder. Você não tem porão escuro onde você pode esconder a sua alma. Cave profundamente, oh, tão profundamente que chegues ao inferno, mas não encontrarás terra suficiente para cobrir o seu pecado; se pudésseis reunir montanhas sobre a tumba do seu pecado, essas montanhas contariam o segredo que está em suas entranhas. Se pudésseis jogar seus pecados ao mar, mil ondas sussurrantes contariam o teu segredo. Não é possível que te escondas de Deus. Teu pecado está registrado no céu. O ato, quando foi cometido, foi registrado no céu e ali permanecerá, e um dia tudo será revelado aos olhos curiosos de todos os homens. Como um hipócrita e falso, você cometeu seus pecados em segredo é claro, mas foram observados pelo Senhor que tudo vê.

Oh, quão tolos são os homens quando pensam que podem fazer algo em segredo. Este mundo é como uma colméia de vidro, dentro da qual as abelhas trabalham: podemos então observar e ver todos os trabalhos dessas criaturas. Assim, Deus olho dês os céus e tudo vê. Nossos olhos são débeis. Não podemos ver no escuro. Mas os olhos de Deus, como um globo de fogo, atravessa a escuridão. Ele lê os pensamentos do homem e vê suas ações quando ele pensa que está bem escondido.

Ah, esse pensamento seria suficiente para nos refrearmos de todos os pecados, se tão somente aplicássemos a nós: “Tu é o Deus que vê!” Ladrão, pare! Deixe o que tens roubado. “Deus te vê! Nenhum olho na terra te contempla, mas os olhos de Deus estão agora olhando desde os céus. Blasfemo! As pessoas que te preocupam no viram teu juramento, mas Deus escutou, teu juramento penetrou os ouvidos do Senhor Deus dos exércitos. Ah! Tu que levas uma vida imunda, mas parece um empresário respeitável mostrando aos homens em caráter afável e bom. Teus trabalhos são todos conhecidos e estão escritos no livro de Deus. Ele tem um diário de todas as tuas ações. Pense naquele dia em que uma multidão estará reunida, comparada com a qual, qualquer multidão aqui não passa de um gota em um balde, e Deus lerá a tua história secreta, e os anjos e os homens ouvirão. Estou certo de que não há ninguém que gosta de ler todos os seus segredos, em especial os nossos pensamentos secretos.

Se eu escolher entre essa congregação o homem mas santo e lhe pedir para se levantar e dizer: “Bem, senhor, eu sei todos os seus pensamentos, e eu estou pronto para contá-los” – eu tenho certeza que me ofereceria o maior suborno que pudesse conseguir para que eu ocultasse alguns deles. “Conte” – me diria – “as minhas ações; pois delas não me envergonho, ma não conte meus pensamentos e imaginações:Porque deles sempre estarei envergonhado diante de Deus”.

Como é grande, então, pecador, será tua vergonha quando tuas lascívias secretas, tuas transgressões privadas, teus crimes ocultos forem anunciados desde o trono de Deus, e publicados por Sua própria boca, e com uma voz mais forte que mil trovões declararem teus segredos diante do mundo inteiro reunido. Qual será o seu terror e confusão então, quando todas as obras do teu coração forem publicadas em face do sol para todos os ouvidos da humanidade. Oh, renuncie a insensata esperança, pois teu pecado tem sido registrado neste dia, e será publicado um dia em todas as paredes do céu.


Série de 6 Partes. Nessa parte você acompanhará a introdução e a ramificação para as outras partes que serão postadas depois.

Manhã de Domingo, 8 de Fevereiro De 1857
Charles Haddon Spurgeon
No Music Hall, Royal Surrey Gardens, Londres
( Tradução – charleshaddonspurgeon.com )

Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me tu dos que me são ocultos. (Salmos 19.12)
A justiça própria deriva em parte do orgulho, mas principalmente, da ignorância da lei de Deus. Devido os homens conhecerem muito pouco ou nada do terrível caráter da lei divina, insensatamente se imaginam justos. Eles não estão conscientes da profunda espiritualidade e da rigorosa severidade da Lei, pois do contrário, teriam noções diferentes e de maior sabedoria. Se soubessem como profundamente a Lei julga seus pensamentos, cada emoção do homem interior, não haveria nenhuma criatura sob o céu, que se atrevesse a se ver como justo diante de Deus em virtude de suas próprias obras e pensamentos. Basta a Lei ser revelada a um homem, basta que veja como a Lei perfeita e quão infinitamente justa, para que sua justiça própria murche e se converta em nada. Sua justiça própria será um trapo imundo aos seus olhos, quando antes a considerava um vistoso abrigo.

Davi, tendo visto a lei de Deus, e louvando esta lei neste salvo que lemos aqui hoje, refletindo sobre a sua excelência, foi levado a fazer esta pergunta: "Quem pode discernir os próprios pecados?" E, então, ofereceu essa oração, "absolver-me dos que me são ocultos".

O Concílio de Latrão da Igreja de Roma, aprovou um decreto que estabelecia que todo crente verdadeiro devia confessar anualmente todos os seus pecados a um sacerdote, e agregou ou decreto a declaração que não há esperança de perdão se não for cumprido o decreto. Quem poderia igualar um disparate tão grande quanto esse decreto? Será que supunham que os homens podem dizer seus pecados tão facilmente como podem contar seus dedos? Por que se só podemos receber perdão de todos os nossos pecados dizendo cada pecado que cometemos em uma hora, nenhum de nós poderia entrar no céu, visto que, há pecados que não conhecemos e que não podemos ser capazes de confessar, pois há um vasto conjunto de pecados que são verdadeiros pecados como os que podemos observar, mas que estão escondidos e passam despercebidos diante de nossos olhos.

Ah, se tivéssemos olhos como os de Deus, teríamos uma opinião muito diferente a nosso respeito. Os pecados que vemos e confessamos são como as pequenas amostras que o fazendeiro traz ao mercado, tomadas do celeiro repleto que está em sua casa. Somos capazes de observar e detectar pequena quantidade de pecados em comparação aos que estão escondidos de nós e que são pouco vistos por nossos semelhantes.

Sem dúvida que essa é uma verdade aplicável a todos nós que estamos aqui, que, a cada hora de nossa existência, enquanto envolvidos em nossas atividades, cometemos muitos pecados que não são acusados por nossa consciência, porque não as temos visto como coisas erradas em virtude de que não estamos estudando a lei de Deus como devíamos fazer.

Agora, temos que aceitar que pecado é pecado, quer o vejamos, quer não. Um pecado, mesmo que não detectado, é um pecado tão real como o que podemos observar, embora não seja tão grave aos olhos de Deus como aqueles que cometemos deliberadamente, não tendo o agravante da intenção. Todos os pecados que conhecemos devemos confessar em sincera oração: “Senhor, eu confesso todos os pecados conhecidos”, mas devo acrescentar dizendo, “perdoa-me dos que me são ocultos”.

No entanto, esta não é a essência do meu sermão hoje. Meu objetivo é uma espécie de homens que não têm pecados desconhecidos para eles, mas que os tem mantido em segredo na frente de seus semelhantes. Cada vez que levantamos uma linda pedra colocada sobre o gramado verde da igreja que congregamos, pintada com tinta de bondade aparente, e para nosso assombro, encontramos debaixo dela todo tipo de insetos imundos e répteis odiosos, e em nosso repúdio a hipocrisia exclamamos: “Todos os homens são mentirosos, não há ninguém em quem possamos confiar”.

Não seria justo aplicar esta designação a todos, mas realmente, as descobertas feitas sobre a falta de sinceridade dos nossos semelhantes, são suficientes para entendermos quão longe pode ir a simples aparência, e quão pouca é a pureza do coração. A vós, senhores, que pecam em segredo, pois fazem profissão de fé, mas que quebram o pacto com Deus quando estão nas sombras, e continuam usando a máscara da bondade quando estão na luz – a vocês que fecham as portas para cometer abominação em segredo, para vocês eu vou pregar esta manhã. Ah, que Deus se agrade em falar ao seu coração e leve-os a proferir estas palavras: “Absolve-me de meus pecados que estão ocultos”.

Vou me esforçar para exortar a todos os hipócritas, pedindo-lhes que abandonem, que renunciem, que detestem, que odeiem, que aborreçam todos os seus pecados secretos. E, em primeiro lugar, me esforçarei para mostrar a loucura de pecados secretos. Em segundo lugar, a miséria dos pecados secretos. Em terceiro lugar a culpa dos pecados secretos. Em quarto lugar o perigo dos pecados secretos. E, em seguida (próximos artigos), aplicar palavras de cura para que todos nós recebamos graça de evitar os pecados secretos.